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Jornal Nacional
Equipes de
abordagem vão identificar os usuários em situação mais grave e levá-los para
um centro de referência. A internação compulsória é prevista em lei, desde
que haja atestado médico e autorização da Justiça.
O governo de São
Paulo anunciou um programa de internação de dependentes químicos para
tratamento, mesmo contra a vontade deles. A internação compulsória é prevista
em lei, desde que haja atestado médico e autorização da Justiça.
Ela fez 34 anos nessa quinta-feira
(3), mas, consumindo até 20 pedras de crack por dia, o tempo passou
mais rápido.
“No estado que
estou, me sinto como se tivesse 50. Eu estou acabada”, diz a mulher.
Faz três anos que
a auxiliar de enfermagem, mãe de dois filhos, se envolveu com o crack. Ela
resiste a se tratar.
“Tenho medo da
reação, dos medicamentos que eles dão”, revela.
Entre as centenas de
dependentes de crack que ocupam as ruas de São Paulo, muitos desistiram
do tratamento. Outros nem aceitaram ser internados. Diante desse cenário que
se arrasta há décadas, o governo resolveu mudar de estratégia e internar os
mais debilitados, mesmo contra a vontade deles.
Equipes
de abordagem vão identificar os usuários em situação mais grave. Eles serão
levados a um centro de referência perto da cracolândia. Lá, vão ser avaliados
por médicos. A equipe terá ainda advogados, promotores e juízes que vão
decidir sobre a internação.
“A
internação grave é indicada quando a pessoa está em risco de vida ou
colocando alguém em risco de vida. Quando você tem esta equipe de profissionais
juntos, a fluidez do processo é muito maior, além da gente criar um olhar
diferente para esta situação”, explica Rosângela Elias, coordenadora da
Secretaria de Saúde de São Paulo.
Para
o psicanalista Antônio Sergio Gonçalves, a medida não pode ser isolada.
“Esse
processo de degradação leva anos, é gradual e progressivo. Agora não dá para
responder uma questão social simplesmente reprimindo a questão da droga. Uma
ação só dá saúde ou apenas da polícia não basta. É preciso envolver
respostas, por exemplo, como a questão de moradia e a questão de geração de
renda, trabalho”, defende.
O
juiz da Infância e Juventude, Antonio Carlos Malheiros, é a favor da
internação contra a vontade em casos extremos, mas faz uma ressalva.
“Não
pode ser uma medida higienista de se procurar limpar o centro da cidade
apenas, de pessoas tidas por grande parte da sociedade como indesejáveis. Há
que se ter muita cautela, muito cuidado e, acima de tudo, muita solidariedade
com essas pessoas que não tem absolutamente mais nada e nem respeito por si
próprias”, opina.
“Na
rua me sinto um lixo. Estou me sentindo no fim da vida”, declara um
dependente.
Viciado há 11 anos, o homem aceitou nesta
sexta-feira (4) o convite de uma igreja. Ela oferece banho, comida, corte de
cabelo e muita conversa para criar uma relação de
confiança com os dependentes. Quem aceita é levado para tratamento. Um
caminho que o pedreiro resolveu seguir hoje.
“Não
adianta querer sozinho, com as próprias forças, que não vai conseguir. Tem
que se afastar para depois conseguir se manter em pé”, encoraja.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
SP: governo anuncia internação compulsória de viciados em crack
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