“Havia
um velho de olhar esgazeado, pulando ao redor, de todas as maneiras, e gritando
a respeito de serpentes. Ele dizia que elas lhe subiam pelas pernas; depois
dava um pulo e um grito, e dizia que uma o tinha mordido no rosto, mas eu não a
podia ver. Ele começava a correr ao redor da cabana, gritando: ‘Tire-a fora,
ela está mordendo meu pescoço!’.
Nunca vi um homem com os olhos tão assustados. Logo depois ele ficou esgotado e caiu,
resfolegando; em seguida rolou de um
lado para o outro com incrível velocidade,
chutando coisas e tudo que havia no caminho, e dando golpes e agarrando o ar
com as mãos, gritando e dizendo que os
demônios o tinham prendido. Aos poucos
foi-se esgotando, permaneceu quieto, embora gemendo; depois ficou deitado, mas quieto,
não produzindo um som sequer. Eu
podia ouvir as corujas e os lobos lá fora, nos bosques, e parecia reinar um
silêncio terrível. Ele estava deitado em
um canto, aos poucos ergueu-se e escutou, inclinando a cabeça para um lado;
disse muito baixinho: ‘Tac, tac , tac, são os mortos; tac, tac, tac, estão
vindo me buscar, mas eu não irei; oh,
eles estão aqui! Não me
toquem, não me toquem, tirem essas mãos, elas estão frias! Larguem-me! Oh, deixem um
pobre diabo sossegado!’. Depois ele se pôs de quatro e se arrastou,
pedindo-lhes para que o deixassem sossegado;
enrolou-se no cobertor e ficou
debaixo da velha mesa de pinho, ainda
pedindo, e começou a chorar.” (James R. Milam e
Katherine Ketcham).
E essa foi uma grande realidade
em minha vida, porque também vivi esses momentos de delírio. Uma vez na casa da minha mãe passei noites
sem dormir porque escutava batucadas, e
os mortos diziam que viriam me buscar, e
eu não dormia porque temia que eles viessem.
Meu marido me dizia que era mentira,
que eles não viriam, mas eu tinha
muito medo de fechar os olhos e ficava ali até amanhecer, temendo que
viessem me buscar.
EM BREVE LIVRO ALCOOLISMO FEMININO DE JUSSARA ANTUNES...
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