Quanto a mim não tive a mesma sorte do filme "Quando um homem ama uma mulher"...
No meu caso tive mais
ajuda da minha família de origem, pois enquanto estava me tratando em um hospital em Sorocaba, meu
marido estava formando uma nova família em São Bernado do Campo. Tive
que ser muito forte e se não fosse eu querer muito sair do alcoolismo e a
experiência sobrenatural que tive com Deus eu não teria suportado tanta dor. Tive que
sair do alcoolismo e conviver com a separação judicial que durou sete anos
porque nós dois queríamos ficar com a guarda da nossa filha. Hoje tudo passou já
estou sóbria há 26 anos, tenho uma filha linda já casada e muito feliz com
sua filhinha de um ano. Tudo passou... Minha filha foi criada longe
de mim... Mas hoje somos amigas ela me compreendeu e nunca me acusou de nada...
Pois sabia que eu estava muito doente... e que Deus me libertou e me deu vitória...
”Tudo
Posso Naquele que me Fortalece”
um abraço a todos, Jussara
A família é fundamental
para o sucesso do tratamento da dependência química. Pensar que tudo se
resolverá a partir de uma internação ou após algumas consultas médicas é uma
armadilha que não polpa a mais sincera tentativa de tratamento.
A dependência é um problema que se estruturou aos
poucos na vida da pessoa. Muitas vezes, levou anos para aparecer. Muitas coisas
foram afetadas: o desempenho escolar, a eficiência no trabalho, a qualidade dos
relacionamentos, o apoio da família, a confiança do patrão, o respeito dos
empregados. Como esperar, então algo presente na vida de alguém há tempo e que
lhe trouxe tantos comprometimentos desapareça de repente? Quem decide começar
um tratamento se depara com os sintomas de desconforto da falta da droga e,
além disso, com um futuro prejudicado pela falta de suporte, que o indivíduo
perdeu ou deixou de adquirir ao longo da sua história de dependência.
Todos podem ajudar: o patrão, os amigos, os
vizinhos, mas o suporte maior deve vir da família. As chances de sucesso do
tratamento pioram muito quando a família não está por perto.
Veja porque a família é
tão importante:
1.
O dependente muitas vezes não tem a noção completa
da gravidade do seu estado. Por mais que deseje o tratamento, acha que as
coisas serão mais fáceis do que imagina. Por conta disso, se expõe a situações
de risco que podem levá-lo de volta ao consumo.
2.
O dependente sente a necessidade de “se testar”,
expondo-se a situações de risco para ver o seu esforço está valendo a pena. A
família deve ajudá-lo estabelecendo com o dependente regras que ajudem a afastá-lo
da recaída. Todo o tratamento começa com um mapeamento dos fatores e locais de
risco de recaída. A família deve ajudar o dependente a evitar esses locais.
Isso não deve ser feito de modo policial. Não se trata de fiscalizar. Trata-se,
sim, de chamá-lo à reflexão e a responsabilidade sempre que esse, sem perceber
ou se testar se expuser ao risco da recaída.
3.
O dependente sente dificuldades em organizar novas rotinas
para sua vida sem as drogas. O dependente de drogas precisa de apoio para
superar as dificuldades e estabelecer um novo modo de vida sem drogas. Vários
fatores interferem nessa tarefa. A pessoa pode estar fora do mercado de
trabalho há muitos anos, desatualizada e sem contatos que lhe proporcionem
voltar em curto prazo. Pode ter saído da escola muito jovem e agora está pouco
qualificado para um bom emprego. Há dificuldade em se relacionar com as
pessoas, aguentar as frustrações, saber esperar a hora certa para tomar a
melhor atitude. A autocrítica do dependente por vezes é dura consigo mesmo.
Deixa um clima depressivo e de fracasso no ar. Isso pode fazer com que os
planos para o tratamento sejam deixados de lado.
A família no
tratamento mostra que o diálogo ainda existe. A rotina da dependência química
traz ressentimentos para todos. Muita roupa suja vai ser lavada. No entanto, é
preciso entender que se trata de uma doença. Em um primeiro momento a motivação
do dependente para a mudança e do apoio da família para mantê-lo motivado são
importantíssimos. Isso demonstra que a família ainda é capaz de se unir,
conversar e resolver seus problemas. Quando o momento de ir para o tanque
chegar, todos estarão fortalecidos e o assunto será tratado com mais ponderação
e menos emoção.
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